domingo, 23 de novembro de 2025

Lindo

Consegui

Dormir uma manhã inteira. Abrir as janelas e deixar entrar o sol. Ouvir podcasts em lista de espera. Ficar sozinha, desfrutar do silêncio. Marcar consultas. Ir aos arrumos buscar os enfeites de Natal. Apaixonar-me por uma coroa e desistir dela. Ficar com a estrela velhinha. Ir a Fátima acender uma vela pela Paz no mundo. Assumir que sempre quis ter um terço negro, ganhar um, e descobrir respostas a porquês. Embrulhar o meu primeiro presente de Natal. Por as roupas em dia. Falar ao telefone com as amigas de toda a vida. Deixar tudo em ordem para me lançar para a recta final do ano, sempre feita de dias intensos, às vezes demasiado.

É bom parar. É mesmo importante.

A magia do Amor

Talheres mal colocados, esqueçam o pano, esqueçam a mesa. O tempo que ela perdeu a executar a difícil tarefa de recortar aquelas estrelas, os números da grande viagem que começo, os corações castanhos como eu. Uns dedinhos de cinco anos, um coração puro. O melhor presságio.

Mãe anda ver! Olha o que eu fiz para ti!

Os meus 47



Ontem foi dia de aniversário cá em casa. Sozinha com os meus dois amores que me cobriram a alma de diamantes, num dia cheio de sol, de paz, de surpresas bonitas e inesquecíveis.

Sou uma criatura bafejada pela Sorte maior.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

A magia dos anuncios de Natal


Chega esta altura do ano e adoro quando os anúncios despertam a magia em nós. Este foi o primeiro que achei lindo.

 

joy

Autumn leaves







Esta cidade é um luxo. Permite-nos o esplendor máximo de cada estação.

É uma das musicas mais bonitas de todo o sempre. Meu querido Sabina. Irrepetível. 
Nem todos terão as ferramentas para saber interpretar este presente.
Windows

Da extraordinária Natureza


Não sei se perceberam, no meio da tempestade Cláudia, pássaros em debandada no céu. Há sempre os resistentes, os que ficam até depois do fim. Também acho que as tempestades têm algum encanto.

E logo que passou o temporal, na primeira manhã de sol e céu azul, os bichos a desfrutar como se fosse primavera.  Há sempre os que são atentos à Vida, os que agradecem com a sua presença, por tudo e por nada.

Maravilhoso.

Gente, é preciso falarmos nisto

A minha filha tem 5 anos, e esta semana, no pré-escolar, na planificação de aprendizagens semanais, num dos itens, consta o seguinte:

reconhecer que a diversidade é natural e positiva

Aos cinco anos as nossas crianças aprendem isto. E enche-me de orgulho que nas escolas os educadores se preocupem com a mensagem, porque serão estes as mulheres e homens de amanhã. Civismo e valores ameaçados, deturpam e misturam o trigo com o joio.


Nós mães, com o excesso de preocupação, às vezes ficamos too much. Acho uma delicia que um outdoor na rua nos lembre que há coisas tão importantes, como saltar em pocinhas de água das chuvas. Que não podemos abraçar o mundo com apenas dois braços e que brincar lá fora é algo extraordinário, que os miúdos adoram, e que não tem obrigatoriamente que ser sinónimo de doença. Tem sido o meu drama com o avô da Maria. Ás vezes é apenas simplesmente isso: ele não lhe corta as asas e deixa-a ser feliz.

Bom dia Vida

Por aqui temos vivido a todo o gás. Os dias são intensos e corremos nem sei bem para onde, a sensação que eu tenho é que a vivermos assim apenas ficamos mais perto do fim. Sinto falta de tempo só para nós os três: é a coisa que mais gosto de fazer na vida, estar com a Maria e o Luís.

Estou quase a fazer anos e a prenda que dei a mim mesma foi ficar em casa por estes dias. Está um sol incrível, poder abrir as janelas de par em par logo de manhã, faz-me tão bem. Ficar sozinha, aproveitar o silêncio, arrumar a casa. A ultima tempestade foi terrível, a paz destes dias quietos e ensolarados é quase um remédio para a alma. Tenho que descer as coisas de Natal dos arrumos, e mesmo sem grande vontade, tenho que preparar os enfeites porque a nossa pequena Maria é ela própria o menino Jesus cá em casa: por ela vale tudo a pena. Este ano, pela primeira vez, quero encontrar uma coroa de Natal. Todos os anos compro um acessório, este ano vai ser a coroa.

Sobre os presentes, não me apetece ir para a rua. Só de pensar na azafama nas lojas, Deus me salve. A Maria vai ganhar um cavalete meu e do pai. E vou comprar uma briga feia com o pai dela, mas vai ser desta que a família vai mesmo crescer: quero trazer um gatinho. Pensei muito num cão, mas são muitas horas em casa sozinho. O gato tem outra resiliência. Se tenho receio? Tenho. A vida está terrivelmente difícil. Mas há uma coisa que os nossos pais e avós tinham que nós definitivamente perdemos: havia sempre lugar para mais um, sem medos. Um bichano, vai-nos trazer tanta alegria e amor, vai ensinar tantas coisas importantes à Maria!

Sobre o mundo lá fora, não há muito a dizer. Continuo assombrada com o que fizeram e fazem em Gaza e tenho a certeza que não é por mudarmos de ano que vamos virar esta página negra na História da Humanidade. Vergonha, tristeza, pavor. Cá dentro temos o show diário dos candidatos presidenciais, sendo que o assunto é sério. E depois temos as histórias reais do dia a dia dos portugueses, com vidas difíceis e a ver direitos a duras penas conseguidos, cada vez mais ameaçados. Temos cada vez mais pessoas a fugirem da miséria dos seus países e a enfrentarem dificuldades sérias. Temos homens que querem ser cada vez menos irmãos. Temos valores tão importantes e básicos, como o civismo, a serem claramente descartados. É o eu e o nós, contra os outros. É muito redutor, muito pequenino ser-se assim.

É a natureza, quem neste momento nos dá as maiores lições.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

O meu maior desejo para 2026

Ter mais tempo para a Maria.

Este é o meu mês de mudança de pele.

Tenho-me agarrado aos detalhes pequeninos, ao silêncio redentor das madrugadas, ao barulho da chuva a cair certinha, à bondade desinteressada em gente desconhecida, à resiliência de quem enfrenta os maiores desafios, a um trago de vinho que me aquece, ao conforto de cair exausta na cama e fazer conchinha com a minha Maria, aos passarinhos teimosos que ainda cá estão em Novembro, aos gatinhos nos telhados de zinco do campo do vizinho. Que Deus me salve de mim mesma, da tristeza, da inércia, do desacreditar.

Coisas que me surpreendem


Em Novembro, nos primeiros dias gelados, pessoas de havaianas às seis da madrugada na paragem do bus. A rua onde moro afogada em chuvas torrenciais, como nunca vi. O inicio de obras no prédio onde moro, finalmente após anuncio feito há uma década atrás. A forma como o amor murcha, assim de repente. Como somos frágeis, e como somos fortes. Esta foto, tirada pela minha mãe. Um terço de crochet que me foi oferecido esta semana, por uma senhora que faz as árvores e coroas de natal mais bonitas. A pausa dos guerreiros. A forma como os pais olham para os recém nascidos no Hospital onde trabalho, e acho que em todas as partes do mundo. O vento e o mar em disputa ou romance. Gostar do meu cabelo comprido, outra vez. As cores do Outono, a folhagem. Miúdos felizes a jogar à bola. O poder cada vez mais estrondoso da natureza. Catar piolhos à Maria, e sentir-me mais mãe por causa disso.
(...)

domingo, 2 de novembro de 2025

Bom dia Vida

Muitas saudades do frio. Das manhãs de nevoeiro.  Da necessidade de aconchego. De mantas e de vinho tinto. Saudades de todas essas coisas que nos fazem ficar mais dentro.

É verdade que os dias estão mais pequenos e há menos luz, mas eu gosto mesmo de todas as estações e tal como os bichos e as plantas, recebo cada uma de braços bem abertos.

Em 2026

Se eu lá chegar, quero lembrar-me todos os dias:

se eu não estiver bem, mudo-me. 

se eu quiser alguma coisa, tenho que me bastar. 

se for apertado, não uso.

(...)

Sobre morrer de medo do amanhã

Nunca vivi esse medo, assim tão entranhado na pele. Aflige-me deixar de viver hoje, por causa de um amanhã que pode nem chegar. Para mim contam mais as emoções, as que vivemos e as que despertamos. Importam esses pequenos gestos que lembram aos outros que os amamos muito. Importam os detalhes. Para mim o dinheiro só serve para servir. No meu percurso de vida, desde os dias em que eramos pequenos e não tínhamos mais do que a saia da minha mãe, lembro-me que houve sempre alguma coisa para nós no caminho. Como se Deus fosse acompanhando. E até hoje, quando os dias mais dificeis surgem, tenho essa sensação de conforto, de que não estou sozinha e de que em algum ponto do caminho, as coisas vão melhorar. Nunca tenho medo que me faltem cinquenta euros. E nunca me faltaram.
Do que eu tenho medo, é dos dias sem sal, dos dias sempre cinzentos. É de um dia procurar amigos que amo e não procuro faz tanto tempo, e de eles já não se lembrarem mais de mim. Tenho medo das doenças implacáveis na minha gente. Tenho medo desse cheiro a mofo quando banalizamos o amor dia apos dia. Tenho medo de perder a capacidade de chorar. 
(...)

Gosto destes dias do ano

Tão bom Em que temos as últimas noites frescas e as primeiras noites quentes. Em que os gatos de fevereiro mostram por fim distinta personal...