segunda-feira, 31 de março de 2025

Abril

Ficar bonita. Encher-me da Luz dos dias, da canção do mar, de tudo o que explode na natureza. Mês para me reerguer. Acreditar com muita força que ser sozinha no mundo implica aceitar que os outros não têm que se importar comigo, com o que eu sou ou penso. Ficar bem com isso. Mês para abraçar com entusiasmo pontas do novelo que tenho deixado soltas em relação à Maria: a educação dela precisa de constância e de zelo. Mês para planear melhor o ano, ainda vamos a tempo. Mês perfeito para soltar borboletas dentro de mim; preciso de magia nos meus dias. 
Mês para destralhar a sério a vida e a casa. Para fazer caminhadas e treinar a respiração.
(...)

Sobre a cura



Sobre a Esperança. Sobre as coisas realmente maiores. Sobre certezas. Sobre as estações do ano. Sobre a capacidade de olhar, de ver e de sentir.

Em contramão

Rota de colisão comigo mesma: cheguei do trabalho e sentei-me no sofá a comer um pacote de batatas fritas inteiro. A seguir vomitei.

E depois pensei que nunca tinha feito nada que me fizesse sentir tão estupida. E que se calhar foi apenas um pedido de socorro a mim mesma.

(...)

Não é sobre os sonhos realizados


almejar

É sobre a capacidade de sonhar.

Março foi um mês dificil

Senti-me vencida pelo cansaço a maior parte dos dias. 

Com uma tolerância zero ao egoísmo alheio: já ninguém faz nada por ninguém, como se todas as aldeias do mundo tivessem morrido ao mesmo tempo e agora somos todos - todos mesmo - uma cambada de desconhecidos que vivem nas tocas e a quem não importa o que acontece aos outros. Ninguém move uma palha para fazer o correcto, dá muito trabalho, implica correr riscos. Penso que esta é uma das facetas que mais me inquietam no Homem de hoje.

Não sou eu a única do Bem. Sou igual a toda a gente, mas esforço-me, decepciono-me, inquieto-me, tento remar contra a maré. Sinto-me cada vez mais sozinha e incompreendida. Transformo-me sem querer numa pessoa rabugenta aos olhos dos outros mas também esses outros são cada vez mais pessoas desinteressantes para mim.

Nem mesmo as profecias e os eclipses me fazem perder a Fé naquilo que são os planos de Deus. Acredito que Ele tem coisas maiores para nós, e que nada - nada mesmo - acontece por acaso. Uma doença, uma guerra, uma noticia trágica, são sempre o inicio de inúmeras oportunidades e diferentes caminhos. Um dia vai chegar a minha vez, e eu sei que é nessa hora que a nossa verdadeira fibra resiste ou não. Sinto que preciso cada vez mais de oração e de silêncio, porque vão chegar desafios e em alguns momentos já me sinto a mergulhar nessa onda estranha feita só de destino.

Comecei a tomar uma carrada de vitaminas a ver se esta astenia não me vence. Mas penso que só preciso mesmo de descansar a sério, de voltar a ler, e da Primavera.

quarta-feira, 5 de março de 2025

É por ti que eu vou

 



Mãe, e se a bola cair em cima de mim?

Não ficas indiferente. Á pobreza. Aos outros meninos como tu. A cobras que saem da boca de pessoas em quadros que valem milhões e que tu juras que nunca mais queres voltar a ver.

Mãe, o que é um pedagogo?


Aos cinco anos, são as tuas perguntas tiradas de uma cartola, de forma imprevisível, sempre à queima-roupa, que me prendem à vida.
(...)

Abertura


Sou uma pessoa triste a maior parte do tempo; algumas vezes profundamente triste. Desde criança lembro-me destas nuvens pesadas a pairarem sobre mim. Nessa altura a minha vida não era realmente muito feliz, havia razão para as nuvens e não me inquietava com elas. Com o passar dos anos cresci, adultei e penso que agora aos 46 começo a perceber que estou a envelhecer. É aqui que as nuvens me começam a incomodar, porque hoje tenho poucas razões para não ser feliz, mas elas continuam lá. Muitos dias, demasiados dias. 
Gosto da Vida, sinto-a uma experiência extraordinária, belíssima. Mas o mundo como está, as pessoas - quase todas - fazem-me gostar cada vez mais do silêncio, da quietude, de estar sozinha no meu canto. Gosto muito da natureza, parece-me sempre perfeita nas respostas mesmo quando não gostamos delas.
Sou de ; e apesar de triste, sou de Luz. Adoro as manhãs e a maior coisa que aconteceu na minha história foi ser mãe da Maria. Comovo-me com pessoas boas, generosas. Adoro gente que faz rir os outros, não em modo palhaço mas em modo leveza.

Não sou fã de bachatas e sambas e afins. Não gosto do Carnaval. Mas aprecio seriamente a letra desta musica, e aprecio de verdade quem adora carnavais e me diz que tem um charriot inteiro com uma coleção de fantasias que me pode emprestar, assim como quem empresta quase um pedaço da própria vida. Ás vezes renascemos na força dos detalhes dos outros.

Aprecio a alegria e acho que é a coisa mais urgente no mundo actual. Estamos todos com medo de estar às portas de uma guerra para a qual ninguém está preparado. E tudo o que nós temos realmente - ricos e pobres - é aquilo que conseguiremos manter intacto se esse dia terrível chegar. 

Se não sobrar nada, que sobrem as memórias.

Gosto destes dias do ano

Tão bom Em que temos as últimas noites frescas e as primeiras noites quentes. Em que os gatos de fevereiro mostram por fim distinta personal...