quarta-feira, 25 de março de 2026

Um livro

Cosas rotas que brillan

Anotei num papel faz tempo e ainda não o comprei. Abril vai ser um bom mês. Para remar. Para fazer muitos trocadilhos aos dias, sugerir um livro com uma musica e em definitivo isso não ser para todos.
(...)

terça-feira, 24 de março de 2026

As árvores estão cheias de primavera. E a pé pelas ruas, o sol é fogo.

Em dois dias as estações esgotam-se.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Resgate

Em busca de mim 

Quando bates no fundo, resta pouca opção. Ves-te com transparência, com mais nitidez os teus medos e as tuas falhas. De repente as tuas derrotas pesam menos, porque importam menos. Não são os outros, és tu.

Jejuar. Fazer silêncio. Voltar a caminhar, correr, bater asas quem sabe.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Se alguma vez na vida cruzei com alguém parecido comigo, perdi-o.

Vou partir deste mundo sem me sentir compreendida. E nem sei se alguma vez alguém me chegou a querer de verdade. Talvez só a minha mãe. E nem sempre.

No início senti orgulho, os sacrifícios eram só caminho. A minha alma era gratidão e luz. Depois fui murchando até sentir estes 90 pesados anos.

Perdi todos os meus amigos, um a um. Perdi a minha relação com os livros. Perdi o riso.

Quando saio de casa e vou sozinha pela rua fora às seis da manhã, sinto-me um robot. Tal e qual. Julgo que já nem medo tenho.

A tristeza pode matar.

A Maria hoje teve medo de entrar numa capela. Não percebi porquê, não tive forças para pressionar ou questionar. Bateu o pé e não entrou.

Também me disse enquanto lhe dava banho, que quer uns brincos em forma de barra de ouro.

(...)

Tenho vindo a perder a alegria. Não se explica como isto acontece. Sempre achei que alguma inteligência significava estarmos mais protegidos. Mas disto não. Tenho assistido à quebra diária de pequenos fios fundamentais para suster a marionete. Tem acontecido de uma forma que sinto irrecuperável. 

Pequenas grandes decepções das quais não estou a conseguir recuperar.

Desencanto.

sábado, 14 de março de 2026

Adenda ao post anterior


Jardim de S. Lázaro, Porto

O mundo como está agora mesmo, a vida, a qualidade das pessoas, prende-me muito pouco ou já quase nada a tudo isto. Se ainda sinto mexer as asas da alma, é com a natureza ou com alguma música. Obviamente o compromisso de ser mãe sobrepõe -se aos desânimos maiores.

Mas tudo me interessa muito pouco, ou quase nada.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Morte anunciada de uma família

Eu não posso ser condenado por trabalhar 

Pois não.

Mas podes e vais ser condenado por não saberes impor limites.

Sobre as guerras, e a joaninha que o Leonardo matou

Ontem a Maria chegou a casa com as histórias do dia no Colégio, como sempre. O acontecimento importante foi que brincaram com uma joaninha: "Segurei ela na minha mão mãe, e ela abriu as asas! Depois a Sofia e a Alice também pediram e eu passei para a mão da Alice. Era tão bonita, mas o Leo atirou-a ao chão e matou-a. Porquê que ele fez isso mãe?"

Antes que eu respondesse, o pai disse: "Porque o Leo é rapaz e os rapazes são assim."

Não, os rapazes não são todos assim. Mas há pessoas que gostam do fim, que interrompem a beleza, que afrontam a Natureza, que não escutam com o coração. Se calhar nunca ninguém explicou ao Leo que matar uma joaninha assustada, não é coisa de um menino valente. É urgente explicar-lhe, porque ele tem apenas seis anos.

Os Homens que crescem indiferentes, tornam-se soldados do nada.

Morreu António Lobo Antunes

Foi há três ou quatro dias que estava a arrumar a casa e ao tirar algum pó da estante de livros, peguei num dos dois do António que ainda não li, e desci-o para a minha mesinha de cabeceira. Lembro-me de ter pensado "Está tão velhinho o nosso António, um dia vai-se." E foi hoje, e ao ouvir a noticia esta manhã, descobri que afinal uma parte de mim sabia mas outra ignorava. Escritores como o António são como uma Catedral, o fogo pode chegar à cidade mas achamos que ali não, ali nunca. O António, de certa forma, para mim era um dos quatro imortais. Um irrequieto, rebelde, absolutamente interessante, fumador crónico a viver numa cápsula do tempo para onde já quase não sabemos nem conseguimos voltar, um dos melhores escritores do mundo. Estranhamente não recebeu o Nobel da Literatura, como garantidamente merecia. Nem sempre a vida é o que se espera, ou o que se deseja; nem sempre é justa. O que é certo é que o António inconformado a viver numa nuvem de fumo, chegou aos magníficos 83 anos. Um poço de memórias de olhos azuis. Não era meu, mas era. Por isso hoje sinto-me um bocadinho triste e vazia. Fica-nos sempre a faltar amar mais as pessoas; pessoas como o António, que não se repetem.

(...)

Gosto destes dias do ano

Tão bom Em que temos as últimas noites frescas e as primeiras noites quentes. Em que os gatos de fevereiro mostram por fim distinta personal...