Senti-me vencida pelo cansaço a maior parte dos dias.
Com uma tolerância zero ao egoísmo alheio: já ninguém faz nada por ninguém, como se todas as aldeias do mundo tivessem morrido ao mesmo tempo e agora somos todos - todos mesmo - uma cambada de desconhecidos que vivem nas tocas e a quem não importa o que acontece aos outros. Ninguém move uma palha para fazer o correcto, dá muito trabalho, implica correr riscos. Penso que esta é uma das facetas que mais me inquietam no Homem de hoje.
Não sou eu a única do Bem. Sou igual a toda a gente, mas esforço-me, decepciono-me, inquieto-me, tento remar contra a maré. Sinto-me cada vez mais sozinha e incompreendida. Transformo-me sem querer numa pessoa rabugenta aos olhos dos outros mas também esses outros são cada vez mais pessoas desinteressantes para mim.
Nem mesmo as profecias e os eclipses me fazem perder a Fé naquilo que são os planos de Deus. Acredito que Ele tem coisas maiores para nós, e que nada - nada mesmo - acontece por acaso. Uma doença, uma guerra, uma noticia trágica, são sempre o inicio de inúmeras oportunidades e diferentes caminhos. Um dia vai chegar a minha vez, e eu sei que é nessa hora que a nossa verdadeira fibra resiste ou não. Sinto que preciso cada vez mais de oração e de silêncio, porque vão chegar desafios e em alguns momentos já me sinto a mergulhar nessa onda estranha feita só de destino.
Comecei a tomar uma carrada de vitaminas a ver se esta astenia não me vence. Mas penso que só preciso mesmo de descansar a sério, de voltar a ler, e da Primavera.
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