sábado, 20 de setembro de 2025

Back to reality

Voltar ao horário, acordar às cinco horas da madrugada. Entrar no turbilhão, na implacável roda do hamster.

Vou tentar que nada nem ninguém me roube a paz que levo destes dias. Ou pelo menos que ela me dure o tempo máximo que a minha capacidade me permitir. Há gente de uma paz interior inabalável: era o meu sonho.

Dias de reconciliação

comigo mesma.

Dormi duas manhãs inteiras, e garanto-vos que vou passar a fazê-lo de vez em quando. Ganho uma tarde inteira mais produtiva, fico calma, disposição e cérebro parece que fazem um reset, fico a ver a vida com outro olhar. Cuidei das minhas plantas, em modo braços abertos para o Outono e a tão especial época de hibernação que se avizinha. E olhem só: tenho um eucalipto doméstico, uma espada de S. Jorge, manjericão, alecrim, hortelã, a planta do incenso, camélias e orquídeas. Elas estavam a precisar de mim e eu estava a precisar delas. Almocei com uma amiga que amo, passeei sozinha pelo Jardim Botânico, arrumei roupas da Maria, li poesia. Passei tempo com a minha filha e o meu Luís, sem pressas, sem horários. Ouvi podcasts super interessantes, também desfrutei de horas inteiras de um silêncio terapêutico.

Parar. Sair do olho do furacão. Que semana de descanso maravilhosa.









Das coisas que me fazem feliz

É sentir que apesar de não conseguir trabalhar na minha área, apesar de eu e o Luís nos matarmos a trabalhar como condenados e tantas vezes ficarmos sem tempo para os dois, apesar de termos os tostões pensados e repensados, realizamos os nossos planos em relação à nossa filha. Fico orgulhosa sim, cada vez que ela faz uma actividade e coincide com os filhos de ex colegas meus, arquitectos, engenheiros, etc.

 Apenas por perceber que não lhe dou menos do que se tivesse conseguido ser mais.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Tenho que ver

O mundo em rota de colisão


Gaza e o racismo e a xenofobia e os políticos que incitam à violência e todos aqueles que criticam os nossos portugueses que tiveram a coragem de entrar num barco para ir levar comida a gente num conflito de guerra no fim do mundo. O mundo há-de ser sempre um apartheid gigante por causa da ignorância. Também concordo, há muitos anos, que os países não podem ter fronteiras abertas sem condições. No entanto jamais vou perder a minha capacidade de olhar para uma criança e ver só a criança, igual à minha criança que mora cá em casa e que foi o maior presente que Deus me deu. Se é preta (como eu), se é de Gaza, se lhe falta um braço ou se mora na rua, ainda assim, continua a ser uma criança. Tem que ser a coisa mais triste do mundo, pertencer a uma minoria, sentir que ninguém nos quer em lado nenhum.
Esta musica dá-me sempre vontade de chorar. Sinto muita vergonha da forma como nos tratamos uns aos outros.

Das nossas caminhadas descontraídas

 


Trazemos sempre presentes especiais para casa.

Francisco Porto Fernandes

Da Federação Académica do Porto. 

Quando pensamos que a juventude está condenada, o maior conforto é percebermos que não. Esta semana ouvi este jovem falar na RTP3. Senti um orgulho alheio gigante. Parabéns ao Francisco e aos pais ou avós, aos bastidores do ser humano inteligente, sensível e preocupado que este menino-homem é.

Precisamos de muitos assim.



Num fim de semana em que já não é Verão mas também ainda não é Outono - sabem aqueles dias? - fomos felizes no parque. A natureza está esplendorosa nesta altura do ano. E não há melhor terapia: o amor da família, os pulmões cheios de ar puro, e sentirmo-nos parte de um plano superior perfeito.

 


"Só o artista mais altamente disciplinado pode recriar, num plano mais elevado, a espontaneidade de uma criança com a sua primeira caixa de pinturas. Nada é mais difícil do que ser simples."
Aldous Huxley

O mundo à deriva

Ficamos tão chocados cá em casa. Á hora de jantar, a ver o telejornal, de repente entram aquelas imagens daquele pai a agredir a mãe; e o filho, um menino de apenas nove anos, a tentar proteger a mãe. Ficamos estarrecidos porque em casos assim ainda se discute se as imagens são válidas ou não para um tribunal. Entretanto neste nosso choque e perplexidade, a Maria também viu a noticia. Eu sei, não devia. Fez vinte e cinco perguntas sobre o que tinha acabado de ver. Não conseguiu adormecer. E à meia-noite quis vir dormir para a minha cama. Aninhou-se agarrada a mim e perguntou-me baixinho ao ouvido: "Mãe, a nossa casa tem câmaras?"

Expliquei-lhe que não tem e não precisa de ter, porque nem eu nem o pai nunca lhe iremos fazer mal, nem deixaremos que alguém lhe faça mal.

Agora imaginem aquele menino de nove anos, como terá a cabeça e o coração.

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Aproveitar as folgas para por a casa e a roupa em ordem. Para ouvir aquele podcast que valeu mesmo a pena. Para organizar a semana que começa. Para reflectir: sobre o que me faz feliz, sobre quem sou. Para tentar conversas sem rumo, pela milionésima vez. Para me mentalizar que devo falar só por solicitação direta, só se necessário, com a certeza absoluta de que isso me vai trazer paz. Para aproveitar os abraços quentes da minha Maria, e me encher de força para continuar. Para fazer o que tem que ser feito, sem mais questões.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Deja de moverte y quédate quieto,                                                                                                             Y la tranquilidad te moverá

poema zen

Que semana tão difícil.

Nao quero lugares, nem pessoas. Hoje derreti completamente numa reunião de trabalho e sinto que a minha resiliência e doçura, a minha capacidade de me comover e de tolerar, congelaram.

Tudo me parecem sacrifícios. E isto não é estar grata à vida. E isto não é ser boa pessoa.

Nas minhas mini férias à porta de casa vou fazer uma cura de sono. Só isso. Fortalecer a mente para conseguir pensar direito.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Sobre as primeiras chuvas


Sabem tão bem.

Aos 46

Descobri que adorava passar a minha vida só a tirar fotografias e a tratar de plantas. Que me desinteressei das pessoas, delas só os livros. Que ter tido um gato amarelo foi um marco importante na minha vida. Esse gato e a espécie de oito anos de exilio nas ilhas, endireitaram-me a espinha dorsal da alma.

Descobri que o amor não é de todo algo que se tema ou se anseie, que se ganhe ou se perca. O amor é uma condição construída. E é sólida ou não é. Amor é paz. Se desassossega pode ser bom, mas não é amor.

Descobri que nunca vou ser ambiciosa. Mas nunca é tarde para olhar para mim.

Descobri que não nascemos sozinhos nem morremos sozinhos, há sempre alguém. Mas acredito que a hora do adeus é um processo profundamente solitário e necessariamente reflexivo. A hora da verdade.

Descobri com gozo que não me importa a quantidade mas sim a qualidade.

Descobri que preciso de falar menos. E este é um exercício difícil.

(...)

Sobre o que lhes ensinamos

A Maria tem estado muito menos com o ipad. E quando está tem sido a ver uma série de desenhos animados do Mr. Bean. Temos conseguido à base de puzzles e legos e plasticinas. Nem sempre é fácil. Mas acredito que agora com o inicio do ano lectivo, vai andar mais cansada e vai ser mais fácil domar a fera. Li num anexo do Publico, pela autoria de Patrícia Dias, o retrato sobre esta questão que tem sido uma batalha para nós cá em casa. Dá que pensar:

"O reverso da moeda da presença ausente dos pais é a solidão acompanhada das crianças."

A nossa cidade






2025 será sempre um dos anos mais marcantes para nós. Compramos a casa e ficamos a pertencer sossegados às entranhas da cidade que amamos. Que por causa da vida louca e vertiginosa, visitamos pouco. Mas bastou-me caminhar a pé pelas ruas esta manhã, para sentir que é um amor de pedra, que é um orgulho imenso morar aqui, e que esta é sem duvida uma parte fundamental da herança que um dia queremos deixar à Maria.
Viver no Porto não faz parte dos bens, faz parte dos valores.

Finalista do pré-escolar

Hoje acordaste ansiosa. Por causa de um email muito bonito que recebemos ontem, da tua Educadora, a dar as boas vindas aos meninos que este este ano são finalistas. Foi muito bom de manhã perceber e sentir que tinhas mesmo saudades da escola e dos amigos. É vital para mim saber que tens um mundo paralelo tão forte e importante como a família.

É o que me faz mais feliz na vida: ser tua mãe, Maria. Espero que seja um grande ano de memórias mágicas. Que continues a crescer saudável, tão alegre, e que o mundo lá fora para já fique mesmo lá fora. Tenho planos para ti, que são desafios para mim. Espero conseguir filha, acompanhar-te.

Perguntaste-me hoje enquanto te vestia: Mãe como é que vai ser quando tu e o pai morrerem, vou ficar sozinha? Respondi-te que nunca vais estar sozinha, porque eu nunca vou deixar que isso aconteça. Seja o que Deus quiser. Um dia vais descobrir que às vezes os pais também mentem, principalmente quando não sabem as respostas.

Mas hoje lá foste, vaidosa com a tua mochila do Stich e a tua camisola do Labubu, tão diferente de mim até nessas pequeninas coisas. Mas és criança, é isso. E eu não me lembro de ter sido criança.

Anyway, mais um ano de muitas chuvadas no lombo, corridas para o metro e para o bus, trocos contados, mas estaremos juntas filha. No que depender de mim vais ter um ano fabulástico.

Gosto destes dias do ano

Tão bom Em que temos as últimas noites frescas e as primeiras noites quentes. Em que os gatos de fevereiro mostram por fim distinta personal...