terça-feira, 18 de novembro de 2025

Bom dia Vida

Por aqui temos vivido a todo o gás. Os dias são intensos e corremos nem sei bem para onde, a sensação que eu tenho é que a vivermos assim apenas ficamos mais perto do fim. Sinto falta de tempo só para nós os três: é a coisa que mais gosto de fazer na vida, estar com a Maria e o Luís.

Estou quase a fazer anos e a prenda que dei a mim mesma foi ficar em casa por estes dias. Está um sol incrível, poder abrir as janelas de par em par logo de manhã, faz-me tão bem. Ficar sozinha, aproveitar o silêncio, arrumar a casa. A ultima tempestade foi terrível, a paz destes dias quietos e ensolarados é quase um remédio para a alma. Tenho que descer as coisas de Natal dos arrumos, e mesmo sem grande vontade, tenho que preparar os enfeites porque a nossa pequena Maria é ela própria o menino Jesus cá em casa: por ela vale tudo a pena. Este ano, pela primeira vez, quero encontrar uma coroa de Natal. Todos os anos compro um acessório, este ano vai ser a coroa.

Sobre os presentes, não me apetece ir para a rua. Só de pensar na azafama nas lojas, Deus me salve. A Maria vai ganhar um cavalete meu e do pai. E vou comprar uma briga feia com o pai dela, mas vai ser desta que a família vai mesmo crescer: quero trazer um gatinho. Pensei muito num cão, mas são muitas horas em casa sozinho. O gato tem outra resiliência. Se tenho receio? Tenho. A vida está terrivelmente difícil. Mas há uma coisa que os nossos pais e avós tinham que nós definitivamente perdemos: havia sempre lugar para mais um, sem medos. Um bichano, vai-nos trazer tanta alegria e amor, vai ensinar tantas coisas importantes à Maria!

Sobre o mundo lá fora, não há muito a dizer. Continuo assombrada com o que fizeram e fazem em Gaza e tenho a certeza que não é por mudarmos de ano que vamos virar esta página negra na História da Humanidade. Vergonha, tristeza, pavor. Cá dentro temos o show diário dos candidatos presidenciais, sendo que o assunto é sério. E depois temos as histórias reais do dia a dia dos portugueses, com vidas difíceis e a ver direitos a duras penas conseguidos, cada vez mais ameaçados. Temos cada vez mais pessoas a fugirem da miséria dos seus países e a enfrentarem dificuldades sérias. Temos homens que querem ser cada vez menos irmãos. Temos valores tão importantes e básicos, como o civismo, a serem claramente descartados. É o eu e o nós, contra os outros. É muito redutor, muito pequenino ser-se assim.

É a natureza, quem neste momento nos dá as maiores lições.

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