Ele está desenganado, numa cama de hospital com os ossos a quebrarem como folhas sêcas, à espera do fim. Nunca fala em morte, diz sempre e a todos, que vai melhorar. Não fala em últimos desejos, não tem planos, só quer voltar para casa.
Ela, brasileira, com vitalidade, saúde, viagens grandes nos planos, ficou dez minutos a tecer considerações sobre como quer que seja o seu fim, sem que sequer alguém lhe tivesse perguntado alguma coisa. Exige ser cremada, e as cinzas lançadas em Portugal.
Seremos para sempre um tecido de sombras e de luz.



