terça-feira, 27 de outubro de 2026

O paradoxo da verdadeira nobreza espiritual


Ele está desenganado, numa cama de hospital com os ossos a quebrarem como folhas sêcas, à espera do fim. Nunca fala em morte, diz sempre e a todos, que vai melhorar. Não fala em últimos desejos, não tem planos, só quer voltar para casa.

Ela, brasileira, com vitalidade, saúde, viagens grandes nos planos, ficou dez minutos a tecer considerações sobre como quer que seja o seu fim, sem que sequer alguém lhe tivesse perguntado alguma coisa. Exige ser cremada, e as cinzas lançadas em Portugal.

Seremos para sempre um tecido de sombras e de luz.

Erros ortográficos do Amor.

Outubro. Ainda o Sol.


As estações do ano agora moram em meses diferentes. 

Já se percebe o findar de qualquer coisa. A folhagem nas árvores, as novas cores, a luminosidade diferente. Mas ainda temos calor. 

O mundo anda tão atarefado com guerras e manifestações. Eu tenho sentido um desânimo que tem sido maior. Um desencanto. Tristeza. Há qualquer coisa na vida, no meu relógio biológico, que me vai dizendo que tal como tudo passa, também eu vou caminhando para o fim.

Outubro quente, tem sido de algum frio no meu coração.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Primeira classe

desenho da família feito no pré escolar 

A professora perguntou à turma qual era a vossa coisa preferida no mundo. Respondeste sem hesitar: mãe e pai.

Jorge Palma

Quando regressei a Portugal, fui ouvi-lo no Coliseu, cantou com o Sérgio Godinho e o Represas. 

O Jorge é outro, que fez e faz jus às nossas histórias. De uma forma muito peculiar, porque acho que foi o rebelde de umas quantas décadas, e dessa forma, nas letras que partilhou, marcou as nossas loucuras, as que vivemos e as que ficaram agrilhoados lá atrás na juventude.

Gosto tanto tanto de Jorge Palma. Estou muito triste hoje. Certamente a partida dele foi quando tinha que ser. Foi um roda no ar, e 76 não é pouca coisa.  Mas ficamos tão sozinhos, tão mais pobres, sem ele, sem o Represas.  (...)

Outono

Anda livrar-nos da doença deste calor estranho. Sei que algures no tempo vou ficar farta da chuva e do frio, mas estou a desejar dias mais frescos, roupa de aconchego na cama, ouvir a chuva certinha a cair lá fora.

Os idosos em Portugal

"Ando no autocarro todo o dia. Para cima e para baixo; até durmo umas sestas. Só por causa do ar condicionado."

O paradoxo da verdadeira nobreza espiritual

Ele está desenganado, numa cama de hospital com os ossos a quebrarem como folhas sêcas, à espera do fim. Nunca fala em morte, diz sempre e a...