segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Aos 46

Descobri que adorava passar a minha vida só a tirar fotografias e a tratar de plantas. Que me desinteressei das pessoas, delas só os livros. Que ter tido um gato amarelo foi um marco importante na minha vida. Esse gato e a espécie de oito anos de exilio nas ilhas, endireitaram-me a espinha dorsal da alma.

Descobri que o amor não é de todo algo que se tema ou se anseie, que se ganhe ou se perca. O amor é uma condição construída. E é sólida ou não é. Amor é paz. Se desassossega pode ser bom, mas não é amor.

Descobri que nunca vou ser ambiciosa. Mas nunca é tarde para olhar para mim.

Descobri que não nascemos sozinhos nem morremos sozinhos, há sempre alguém. Mas acredito que a hora do adeus é um processo profundamente solitário e necessariamente reflexivo. A hora da verdade.

Descobri com gozo que não me importa a quantidade mas sim a qualidade.

Descobri que preciso de falar menos. E este é um exercício difícil.

(...)

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