28 de Abril de 2025
Foi de repente, fartos de sermos avisados mas ninguém estava á espera. E numa próxima vez voltaremos a ser surpreendidos. Ou com 30% de bateria no telemóvel, ou com 18% de bateria no carro, ou sem água suficiente para três dias. Outra vez o medo colectivo, o alarme da sobrevivência a disparar, o atropelo das pessoas, o pânico a desnudar a mesquinhez de cada um.
Estava de folga e decidi que a Maria não ia ao Colégio. Tinha feito uma compra online de agua, leite e pesos, que já me tinha sido entregue. Tenho sempre velas em casa.
Nunca me vou esquecer do que vi na rua, de me sentir a tremer e de perceber que a Maria me apertava a mão. Do olhar dela triste, de dentro de casa começar a falar a sussurrar, de ficar com o olhar perdido quando percebeu que não conseguíamos ligar ao pai e aos avós.
10 horas de uma amostra daquilo que tantos vivem há meses e anos. Uma boa oportunidade para reflexão.
E tu filha, tão pequenina e com tanta História para contar: viveste o COVID e o primeiro apagão que nos deixou em sentido. Mas és uma criança feliz, saudável e muito amada.
Obrigada Deus, por estarmos deste lado.
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