Sou uma pessoa triste a maior parte do tempo; algumas vezes profundamente triste. Desde criança lembro-me destas nuvens pesadas a pairarem sobre mim. Nessa altura a minha vida não era realmente muito feliz, havia razão para as nuvens e não me inquietava com elas. Com o passar dos anos cresci, adultei e penso que agora aos 46 começo a perceber que estou a envelhecer. É aqui que as nuvens me começam a incomodar, porque hoje tenho poucas razões para não ser feliz, mas elas continuam lá. Muitos dias, demasiados dias.
Gosto da Vida, sinto-a uma experiência extraordinária, belíssima. Mas o mundo como está, as pessoas - quase todas - fazem-me gostar cada vez mais do silêncio, da quietude, de estar sozinha no meu canto. Gosto muito da natureza, parece-me sempre perfeita nas respostas mesmo quando não gostamos delas.
Sou de Fé; e apesar de triste, sou de Luz. Adoro as manhãs e a maior coisa que aconteceu na minha história foi ser mãe da Maria. Comovo-me com pessoas boas, generosas. Adoro gente que faz rir os outros, não em modo palhaço mas em modo leveza.
Não sou fã de bachatas e sambas e afins. Não gosto do Carnaval. Mas aprecio seriamente a letra desta musica, e aprecio de verdade quem adora carnavais e me diz que tem um charriot inteiro com uma coleção de fantasias que me pode emprestar, assim como quem empresta quase um pedaço da própria vida. Ás vezes renascemos na força dos detalhes dos outros.
Aprecio a alegria e acho que é a coisa mais urgente no mundo actual. Estamos todos com medo de estar às portas de uma guerra para a qual ninguém está preparado. E tudo o que nós temos realmente - ricos e pobres - é aquilo que conseguiremos manter intacto se esse dia terrível chegar.
Se não sobrar nada, que sobrem as memórias.
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